Chás Tradicionalmente Usados para Palpitações e Coração Acelerado
Aquela sensação de coração disparado do nada — mesmo em repouso, mesmo sem esforço — é assustadora, mesmo quando dura só alguns segundos. Antes de qualquer receita, é essencial fazer uma distinção que pode ser decisiva.
⚠️ Primeiro: Quando Procurar Ajuda Médica Imediatamente
Boa parte das palpitações é considerada funcional — sem alteração estrutural no coração, ligada a estresse, ansiedade, excesso de cafeína ou desequilíbrio do sistema nervoso autônomo. Para esse tipo, chás calmantes podem ajudar como complemento.
Mas o coração acelerado também pode ser sinal de algo que precisa de avaliação médica. Procure atendimento de urgência se as palpitações vierem acompanhadas de:
- dor ou pressão no peito;
- falta de ar intensa;
- tontura ou desmaio;
- suor frio, náusea, ou dor que irradia para braço esquerdo, pescoço ou mandíbula.
Também vale consultar um cardiologista (mesmo sem esses sinais de alarme) se as palpitações forem muito frequentes, durarem mais de 30 minutos, tiverem início e fim abruptos e regulares, ou se houver histórico familiar de doença cardíaca ou morte súbita. Um eletrocardiograma e, se necessário, um holter são exames simples que ajudam a descartar causas estruturais — e esse diagnóstico deveria vir antes de recorrer a qualquer chá, não depois.
Feita essa ressalva, seguem opções tradicionalmente usadas para palpitações já avaliadas como funcionais.
Por Que o Estresse Acelera o Coração
O sistema nervoso autônomo tem dois ramos que atuam em equilíbrio: um acelera os batimentos (ativado por estresse e ansiedade) e outro os desacelera (ativado em momentos de calma). Muita gente entra num ciclo em que a palpitação gera medo, o medo gera mais ativação do sistema que acelera o coração, e assim por diante. Plantas calmantes e técnicas de respiração atuam justamente para favorecer o lado que desacelera esse ciclo.
As Plantas Mais Usadas
1. Erva-Cidreira (Melissa)
Uma das plantas mais tradicionalmente associadas ao alívio de palpitações leves do dia a dia, com efeito calmante bem conhecido sobre o sistema nervoso.
Preparo: 2 a 3 ramos frescos (levemente amassados) ou 1 colher de sopa seca em 250 ml de água a 88°C, tampar e infusionar por 10 minutos. Consumir morno, até 3 vezes ao dia.
3. Passiflora (Maracujá)
Bastante indicada quando as palpitações vêm claramente associadas a picos de ansiedade.
Preparo: 1 colher de sopa das folhas e flores secas em 250 ml de água a 90°C, infusão de 10 minutos, consumir morno.
⚠️ Tem efeito sedativo — evitar antes de dirigir. Há relatos de possível interação com anticoagulantes; quem os utiliza deve informar o médico sobre o uso regular.
4. Valeriana
Mais indicada para palpitações que aparecem à noite e atrapalham o sono, pelo seu efeito calmante mais pronunciado.
Preparo: 1 colher de chá da raiz seca em 250 ml de água fervente, infusão de 12 a 15 minutos, consumir morno 45 a 60 minutos antes de dormir.
⚠️ Uso exclusivamente noturno — o efeito sedativo é incompatível com atividades que exigem atenção.
5. Camomila
Uma das opções mais seguras e bem toleradas, inclusive por idosos e por quem tem sensibilidade a sedativos mais fortes.
Preparo: 1 colher de sopa das flores secas em 250 ml de água a 88°C, infusão de 10 minutos, consumir morno até 3 vezes ao dia, de preferência após as refeições.
6. Erva-Cidreira com Espinheira-Santa
A espinheira-santa é uma planta brasileira mais conhecida por seu uso digestivo, mas também associada tradicionalmente a um efeito calmante sobre a circulação. Combinada com a erva-cidreira, forma uma dupla bastante usada popularmente.
Preparo: 1 colher de sopa de erva-cidreira seca com ½ colher de sopa de espinheira-santa em 300 ml de água a 88°C, tampado por 10 minutos, consumir morno, até 2 vezes ao dia.
7. Lavanda
Indicada especialmente quando as palpitações parecem ligadas a emoções intensas — raiva, luto, tensão acumulada.
Preparo: ½ colher de chá de flores secas em 200 ml de água a 85°C, infusão de 7 minutos — antes de coar, aproveitar para inspirar o aroma por alguns segundos. Pode ser combinada com camomila.
Magnésio e Palpitações
O magnésio tem papel real na condução elétrica do coração, e sua deficiência — mais comum do que se imagina, especialmente sob estresse crônico — pode contribuir para palpitações. Alimentos como sementes de abóbora, castanhas, espinafre, feijão preto e cacau são boas fontes. Se houver suspeita de deficiência relevante, o caminho correto é pedir ao médico a dosagem de magnésio (e potássio) no sangue, e discutir com ele a necessidade e a forma de suplementação — não decidir isso sozinho.
Respiração Como Complemento
A respiração é a única função do sistema nervoso autônomo que se controla conscientemente, e técnicas de expiração longa (por exemplo, inspirar por alguns segundos e expirar mais lentamente ainda) são associadas ao estímulo do sistema que desacelera o coração. Combinar uma respiração calma com o momento de tomar o chá tende a ser mais eficaz do que qualquer um dos dois isolados. Para quem já tem diagnóstico de algum tipo de arritmia, existem manobras respiratórias específicas usadas em contexto clínico — essas devem ser ensinadas e supervisionadas pelo cardiologista, não praticadas por conta própria a partir de um artigo.
Gatilhos Que Vale Reduzir
Cafeína em excesso (café, chá preto, chá verde, energéticos), desidratação, refeições muito pesadas, privação de sono e álcool — especialmente à noite — são gatilhos bem conhecidos de palpitações funcionais. Reduzir esses fatores costuma ter impacto maior do que qualquer chá isolado.
Cuidados e Contraindicações
Na gravidez, espinheiro-branco, passiflora e valeriana não têm segurança bem estabelecida — camomila e erva-cidreira em doses moderadas costumam ser consideradas mais seguras, mas sempre com orientação obstétrica. Quem usa medicação para o coração, para pressão ou anticoagulantes deve conversar com o médico antes de incluir qualquer uma dessas plantas regularmente — o espinheiro-branco em particular pede essa conversa. E, como já mencionado em outros artigos deste blog, a erva-cidreira pode interferir na função da tireoide; para quem tem hipertireoidismo diagnosticado (que também causa taquicardia), vale mencionar isso ao médico.
Perguntas Frequentes
O chá interrompe a palpitação na hora? Não como um remédio agiria — o efeito costuma aparecer em 15 a 30 minutos. Combinar com respiração calma pode ajudar mais rápido. Taquicardia que passa de 30 minutos, ou muito acelerada, pede avaliação médica.
Posso tomar todos os dias? Para quem já tem diagnóstico de palpitação funcional, o uso regular de opções mais suaves, como erva-cidreira e camomila, costuma ser bem tolerado — mas o acompanhamento médico deve continuar.
Funciona para fibrilação atrial? Fibrilação atrial é uma arritmia que exige tratamento médico específico. Chá pode ajudar com a ansiedade associada, mas nunca substitui o tratamento — e o cardiologista deve sempre ser informado sobre o uso de plantas medicinais nesse contexto.
Considerações Finais
Palpitações funcionais respondem bem, com frequência, a plantas calmantes e a mudanças simples de hábito. Mas a base de tudo isso é a avaliação médica prévia — descartar causa estrutural é o que torna seguro usar esses chás com confiança. Se ainda não foi investigado, esse é o passo que vem antes de qualquer receita.
Para outras receitas de chás naturais, vale conferir os demais guias aqui no blog.
⚠️ Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação cardiológica.

Francielli Souza é a criadora do Chás Que Curam, um blog dedicado a compartilhar receitas, curiosidades e conhecimentos práticos sobre o universo dos chás. Apaixonada pelo tema, transformou a experiência adquirida no uso cotidiano de ervas e infusões em um espaço de informação acessível, sempre com responsabilidade e incentivo à busca por orientação profissional quando necessário.



Publicar comentário